Rato, ratinho

Rato na congregação

O culto já se encaminhava para o fim, depois de mais de quatro horas desde o seu início. Na congregação estava reunido um grupo de pouco mais de quarenta sudaneses, oriundos de uma zona de guerra localizada no norte do país. Após ter compartilhado as Escrituras por cerca de meia hora, sentei-me na primeira fileira. Permaneci ali atento aos anúncios, até que fui distraído por um vulto próximo a única entrada do local. Para minha surpresa, identifiquei que o que roubava a minha atenção era um rato. Enquanto os meus olhos se arregalavam e os meus pelos se arrepiavam ante ao medo de que o animal causasse uma imensa confusão, ele passou tranquilamente pela porta e se moveu em direção aos que estavam sentados na fileira ao lado. Ao ver aquela cena meu coração quase parou. Com determinação e agilidade ele correu para os fundos da sala, ziguezagueando entre as pernas de homens, mulheres e crianças que encontrou pelo caminho. Extremamente tenso e sem saber o que fazer, fiquei aguardando pelo momento em que a congregação irrompesse aos gritos e corre-corre. Surpreendentemente, a reação das pessoas foi totalmente diferente da que estava imaginando. Elas simplesmente ignoraram a presença do roedor e continuaram demonstrando atenção aos avisos que eram apresentados pelo dirigente do culto. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Abaixei discretamente a cabeça, pus a mão no rosto e por alguns momentos passei a considerar a possível reação se algo semelhante tivesse acontecido no salão de culto da minha igreja local no Brasil. Garanto que a atitude não teria sido de passividade. O pavor teria tomado conta de alguns e o culto teria provavelmente se encerrado ali. No entanto, não estou mais no Brasil, mas na África! Sim, aqui as pessoas estão inseridas em outro ambiente cultural, social, linguístico e reagem aos eventos do cotidiano de maneira distinta. Apesar de algumas similaridades com o Brasil, a vida na África é bem diferente. Mesmo com o passar dos anos e servindo em diferentes países do continente africano, ainda estou me adaptando a ela.

Por Jairo de Oliveira

Fonte: Morávios


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Tenda, campo, ovelhas

Fazedores de Tenda: uma resposta ao chamado

O chamado divino já fez parte da vida de muitos homens de Deus. E continua fazendo. Nas Escrituras, encontramos um chamado geral para o testemunho do Evangelho (At 1:8) e um chamado específico para o ministério cristão (Rm1:1).

Os 12 apóstolos experimentaram o segundo tipo de chamado. Eles deveriam renunciar à própria atividade profissional para se dedicar exclusivamente ao ministério sagrado (Mt 4:18-20). Quando Jesus disse a Pedro e André que eles se tornariam pescadores de homens, essa era uma indicação clara de que deveriam deixar suas redes, abandonar seu barco na praia e abraçar um novo ofício.

Além do modelo daqueles que deixam a sua atividade profissional para servir no ministério cristão, há o modelo dos obreiros bivocacionais. São aqueles que servem no campo missionário por meio das suas profissões. Eles são comumente conhecidos como “fazedores de tendas” e são chamados assim com base na experiência de Paulo, em Atos 18:3.

Os que se sentem chamados para o ministério e desejam se tornar obreiros bivocacionais precisam saber que desenvolver simultaneamente a atividade profissional e o ministério num ambiente transcultural não é simples nem tão natural quanto parece. Há vários exemplos de trabalhos de obreiros bivocacionais eficazes, mas frequentemente encontramos missionários fazedores de tendas que se sentem frustrados por não conseguirem conciliar as duas atividades.

Em função dessa dificuldade de harmonizar os dois aspectos, há aqueles que acabam abrindo mão de uma atividade. Em nossa equipe de trabalho no Quênia há uma pediatra que deixou sua profissão para servir integralmente como evangelista. Ela tem umas das profissões mais desejadas por aqueles que ingressam na obra missionária. Não obstante, ela abandonou a atividade profissional porque não estava conseguindo investir tempo necessário no que se sentia realmente vocacionada: a proclamação do Evangelho. Embora tentasse viver e proclamar o Evangelho durante seu expediente, ela se via consumida pelas muitas horas de trabalho e sentia que a evangelização e o discipulado dos novos crentes não cabiam na sua agenda.

Embora acredite que os dois modelos sejam válidos e já tenha pessoalmente lançado mão de ambos, entendo que precisamos ter o cuidado de não desencorajar aqueles que têm uma vocação profissional para se dedicar exclusivamente ao ministério. Há lugar para os dois tipos de chamados na seara. Os modelos jamais devem ser concorrentes; um não deve suplantar o outro.
Você se sente chamado para servir a Deus entre as nações? Procure entender a sua vocação, estude bem o contexto para o qual você está sendo chamado para servir e responda fielmente ao chamado que Deus tem para sua vida.

Por Jairo de Oliveira

Fonte: Revista Povos e Línguas


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