NOV/DEZ de 2020

Campo de refugiados

 

O que querem os refugiados?

 

Queridos irmãos,
Graça e paz!

Em 2003, Yousef teve a sua aldeia em Darfur, oeste do Sudão, devastada por milícias conhecidas como janjawids. Em uma investida genocida, os “guerreiros a cavalo” cercaram a aldeia, incendiaram as casas e assassinaram todos quantos encontraram pela frente, incluindo a mãe e o irmão caçula de Yousef. Seu pai e oito irmãos sobreviveram ao ataque. Eles estavam no campo, cuidando dos animais da família, quando os milicianos realizaram o ataque. Após receberem a notícia, Yousef, seu pai e seus irmãos foram admoestados a não regressarem à aldeia, nem mesmo para enterrarem seus entes queridos. De lá, seguiram aos prantos para Kassab, um campo de refugiados no norte de Darfur.

Hoje, dezessete anos depois, Yousef vive como refugiado aqui no Oriente Médio, onde ainda aguarda a aprovação do seu processo de reassentamento. Em recente conversa, ele fez o seguinte desabafo: “Quando deixei o Sudão e me tornei um refugiado, pensei que esta condição de refúgio seria temporária. No entanto, faz sete anos que estou aqui e me sinto aprisionado. Não posso regressar ao Sudão porque a guerra ainda está em Darfur. Também, não posso seguir adiante porque, até hoje, nenhum país aceitou me receber em um processo de reassentamento. Portanto, não faço ideia de quando vou deixar essa situação.”

Yousef compartilhou a sua história em uma das diversas entrevistas que realizamos para a elaboração da monografia do curso de orientação transcultural (COT). O curso é parte do nosso processo de imersão cultural que tem sido supervisionado por uma das nossas organizações parceiras, a PMI (Povos Muçulmanos Internacional). Ouvir o relato de Yousef e dos demais refugiados foi uma experiência singular. A nossa maior descoberta foi a de que o principal sofrimento que o refugiado sudanês enfrenta neste contexto diz respeito ao preconceito racial. O preconceito se manifesta com tanta crueldade que dá lugar a formas distintas de violência, incluindo física, e aflige tanto adultos quanto crianças.

Em síntese, os nossos amigos deixaram claro que estão exaustos da vida que levam. Eles caminham aflitos e desamparados, como ovelhas sem pastor. Eles carecem de uma esperança e de um futuro. Eles anelam por um ambiente onde o muro de inimizade entre diferentes grupos étnicos já não exista mais. Eles desejam encontrar um verdadeiro lugar de refúgio. Enfim, eles almejam desfrutar uma nova vida. Será que a cruz de Cristo responde a esses anseios? Temos continuamente pedido sabedoria a Deus para apresentarmos o evangelho de forma compreensível aos nossos amigos. Quanto mais estudamos o contexto, mais identificamos caminhos pelos quais a mensagem da cruz pode percorrer de forma relevante. Senhor, por divina graça, abra os olhos espirituais e a porta da fé aos nossos amigos refugiados.

Estamos caminhando bem como família. Os meninos continuam crescendo saudáveis em todos os aspectos. O mais velho tem tido um desempenho escolar excelente, tanto em termos de rendimento como de comportamento. Louvamos a Deus por isso, pois entendemos que esse é um indicativo de que ele vem assimilando bem o processo de transição de país. O mais novo continua se desenvolvendo bem e está aprendendo a se comunicar em meio a uma mistura de línguas. Apesar de termos tido vários meses com fronteiras fechadas, o Senhor tem nos permitido cumprir precisamente o calendário de vacinação dele. Em duas oportunidades, a pediatra que o acompanha nos disse que a vacina que ele precisava estava em falta na país. No entanto, ela tinha o último frasco. Obrigado, Jesus!

A situação da pandemia no país piorou bastante nas últimas semanas. No momento, os casos já superaram a marca dos 90 óbitos e dos 5.990 infectados, num espaço de 24 horas. Em resposta, o governo anunciou um novo período de isolamento social total que vai durar inicialmente cinco dias (de 10 a 15 de novembro). Seguimos orando para que o Senhor contenha o avanço do vírus e nos ajude a vencer este momento tão desafiador que atravessamos na história.

Ao longo desse período em que a maioria das nossas atividades têm sido desenvolvidas online, temos contribuído com iniciativas virtuais na área de treinamento. O nosso objetivo tem sido o de repartir conhecimento e experiência que adquirimos ao longo dos anos a fim de investir principalmente na vida de novos obreiros. Desse modo, no mês de outubro, lecionamos no curso da MEAB, no Brasil, e fomos facilitadores do Al Massira, para Portugal. No início deste mês, demos uma aula sobre trabalho com refugiados para os alunos da Columbia International University (CIU) nos EUA.

Já é do conhecimento dos irmãos que estamos publicando um novo livro que aborda a missão da Igreja em meio a atual crise migratória mundial. A novidade é que o livro, Changing Stories, será lançado nos EUA no próximo dia 15 de novembro, quatro meses antes do aniversário de 10 anos da guerra civil na Síria. Contudo, o material já pode ser adquirido no site da Amazon. Por hora, o livro está disponível somente em inglês (Wipf and Stock Publishers), mas estamos em conversas para que a obra seja publicada também em português. Que Cristo seja glorificado por mais essa iniciativa de mobilizar o povo do caminho para a missão de Deus!

Uma outra novidade é que temos uma viagem agendada para os EUA para este fim de ano. Se tudo der certo, embarcaremos no dia 20 de novembro. A viagem se dará a fim de participarmos de uma série de eventos relacionados ao lançamento do livro. Também, vamos aproveitar a oportunidade para visitar os nossos mantenedores lá e tentar mobilizar mais trabalhadores para a seara. Esperamos também tirar uns dias de descanso a fim de renovarmos as forças e regressarmos ao Oriente Médio prontos para darmos continuidade ao nosso trabalho.

Em mais uma oportunidade, queremos expressar a nossa profunda gratidão pelo cuidado de todos vocês e pelo cuidado divino com a nossa família.

Em Cristo,

Família Oliveira

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