Critérios para avaliação de uma agência missionária

Quase todos os missionários, antes de seguirem para o campo, acabam se filiando a uma agência missionária, a fim de obterem o suporte necessário para o ministério que pretendem desenvolver. Em geral, as agências missionárias atuam em parceria com as igrejas locais, no sentido de auxiliarem no preparo e no envio dos missionários.

Entretanto nem sempre essa parceira é satisfatória, e realmente beneficia todas as partes. Por isso, decidir por uma agência não é tarefa nada fácil, e requer que acima de qualquer critério haja uma profunda busca da direção de Deus.

Entendo a seriedade desse momento e a tensão que cerca tal decisão. Minha esposa e eu, sob a supervisão de nossa igreja local, também tivemos o nosso momento de decidir por uma organização. Foram longos meses de oração, pesquisas, conversas e troca de informações. Tudo com o objetivo de compreendermos o que Deus estava reservando para nós. O mais difícil foi termos que decidir por uma agência quando estávamos emocionalmente envolvidos com outra.

Uma lição importante que aprendemos durante o processo de decisão foi que a principal motivação na escolha de uma agência missionária não deve se concentrar nos benefícios que determinada organização pode oferecer ao missionário ou à sua igreja local. Nesse momento, o mais importante é compreender qual agência tem as reais condições de proporcionar a realização do ministério que Deus tem preparado para o candidato.

Assim, seguem abaixo vinte perguntas envolvendo critérios que devem ser considerados no difícil processo de escolha de uma agência missionária. Muitas outras poderiam ser alistadas, mas selecionei aquelas que considero mais importantes.

Critérios para avaliação

1) Quais requisitos são necessários e que tipo de preparo a agência exige dos candidatos?

O tipo de preparo e as exigências estabelecidas pelas organizações missionárias podem variar. Portanto, o candidato precisa observar se ele atende aos pré-requisitos de determinada agência ou se estaria disposto a se enquadrar nas exigências apresentadas. Um dos aspectos importantes dessa preparação é que o tempo pode ser maior do que o candidato esperava.

2) Qual é a razão, pessoa ou grupo que originou a agência?

Os fundadores e os motivos que deram origem à agência podem revelar o comportamento e a filosofia de trabalho adotado. Também é possível saber, com base nessas informações, se há problemas do passado que causam alguma influência na atuação da organização.

3) Qual é a declaração de fé da agência?

É muito importante observar com diligência a declaração de fé da organização já nos primeiros contatos, a fim de saber se há discordâncias doutrinárias entre as partes envolvidas: igreja, agência e missionário.

4) Qual é o foco missionário da agência?

Algumas agências trabalham especificamente com determinados povos e regiões. Por isso, é importante saber se ela, realmente, atua no lugar aonde o missionário crê que Deus deseja enviá-lo.

5) Qual é a experiência que a agência tem no envio de missionários?

O envio de missionários é coisa muito séria e todos os envolvidos precisam estar conscientes desse fato. O missionário e a sua igreja precisam ter a certeza de que a agência agirá em todo o tempo com responsabilidade.

6) Que tipo de suporte a agência dá aos seus missionários?

É preciso saber que tipo de apoio o missionário receberá quando estiver no campo e em seu país ou cidade de origem. É preciso saber, também, que parte na parceria que será firmada cabe à agência, à igreja local e ao missionário.

7) Há uma identificação no foco da missão com o trabalho que o candidato pretende desenvolver?

O ideal é que haja harmonia entre os projetos da agência e os projetos do candidato. Essa pode ser uma boa indicação de que Deus está separando pessoas com uma paixão em comum para trabalharem juntas.

8) Há alguma identificação do candidato com a agência?

É importante que o candidato se identifique e haja empatia no seu relacionamento com a agência. Essa relação fará com que o missionário se sinta à vontade para futuramente desempenhar suas funções e tenha boa comunicação com os companheiros de trabalho.

9) A agência tem boa reputação diante das igrejas e de outras organizações?

Ouvir o que outros dizem a respeito da agência é muito importante. Se não há quem atribua credibilidade ao trabalho de determinada organização, pode ser um alerta importante, ainda mais se a desconfiança é apresentada por igrejas e organizações que se sintam lesadas.

10) Qual é o relacionamento da agência com as igrejas locais?

O relacionamento que a agência mantém com as igrejas locais deve ser bastante considerado na hora de se avaliar uma agência missionária, uma vez que a agência deve ser reconhecida também como uma organização que respeita e considera as igrejas locais.

11) Que tipo de parceria a agência está disposta a realizar com outras organizações?

Assim como a igreja não consegue realizar todo o trabalho sozinha, muitas agências também não têm estrutura suficiente para dar todo o suporte necessário ao missionário no campo sem a ajuda de outras organizações. As agências, normalmente, estabelecem parcerias com organizações que oferecem apoio aos missionários em áreas como aviação, linguística, tradução bíblica, saúde, entre outras.
Certifique-se de que a agência não está enviando missionários para disputar território com outras missões, denominações ou igrejas locais, em vez de cooperar com o progresso do reino de Deus.

12) Irei trabalhar sozinho ou com uma equipe? Como será esse relacionamento?

O candidato precisa perguntar à agência como será a sua atuação no campo e o seu relacionamento com os outros missionários. Se o trabalho for de equipe e houver uma liderança de campo, é interessante saber de que forma ele estará sujeito ao líder no campo e ao mesmo tempo, à liderança no Brasil.

13) Como funciona o sistema de liderança na agência?

Refiro-me à liderança da organização no Brasil. É muito importante saber quem compõe a liderança, a maneira como essas pessoas tomam decisões e de que forma supervisionam o trabalho realizado no campo. O missionário deve observar o tipo de participação que terá nas decisões tomadas, pois as decisões da organização influenciam diretamente a sua vida e a sua família no campo.

14) A missão presta contas a uma diretoria ou a outra organização?

A prestação de contas é fundamental, pois demonstra transparência em relação ao trabalho que está sendo desenvolvido e garante confiabilidade aos que desejam investir na organização e em seus missionários. Não desconsidere esse assunto!

15) Como é realizada a administração das finanças?

O objetivo desta pergunta é esclarecer também assuntos como: que porcentagem é descontada da manutenção dos missionários para despesas administrativas? Qual é o valor de sustento necessário para o trabalho em determinada região? E como o sustento é enviado ao obreiro no campo?

16) A organização se preocupa com planejamento e atualização?

São dois detalhes importantes que devem se destacar em uma organização que assessora bem seus membros, afiliados ou parceiros. Agências que não se preocupam com planejamento e não se atualizam podem ser pouco eficientes em sua atuação ou não oferecer o suporte necessário que o missionário precisa.

17) Qual tem sido a média de permanência dos missionários da agência no campo?

Se a rotatividade é grande, não é um bom sinal. É preciso identificar o que tem causado o constante número de baixas. Dificilmente o descompasso é responsabilidade apenas dos ex-missionários. Provavelmente, a organização também terá cometido falhas.

18) Qual é o principal motivo do número de baixas de missionários da organização?

Identificar fatores que mais causam a saída de missionários de determinada agência pode indicar alguma área deficiente que vem desestimulando os obreiros a permanecerem trabalhando com a missão.

19) Qual é a frequência com que o missionário retorna do campo em férias e de que maneira a agência interfere em sua agenda quando ele está em seu país de origem, nesse caso o Brasil, ou em sua cidade?

A palavra “férias” é de grande importância na carreira de um missionário. Infelizmente muitos missionários no período de férias acabam assumindo uma agenda de atividades que absorvem a maior parte do seu tempo. Dessa forma ele põe de lado o precioso tempo que deveria dedicar aos familiares, à igreja, ao descanso e ao cuidado com a saúde.

20) O que dizem os ex-missionários sobre a seriedade e o trabalho da agência?

Ouvir é uma atitude sábia. Mas é preciso ter cautela diante de comentários depreciativos. Afinal, toda organização terá ex-membros ou ex-afiliados insatisfeitos. Por isso, precisamos considerar sempre o que os dois lados dizem sobre a mesma questão e avaliar se os problemas apresentados são realmente relevantes e precisam ser considerados em nossa decisão.

Fonte: Apêndice do livro “Missões e Culturas“, editora Abba Press.