Author Archives: Jairo de Oliveira

  • 0
chuva, tempestade

As tempestades da vida

Era uma quinta-feira aqui em Columbia na Carolina do Sul. Recebemos uma notificação da escola do Mateus de que ele sairia mais cedo no dia seguinte. Começamos a receber também e-mails da universidade onde meu esposo está estudando, informando que alguns departamentos não funcionariam a partir do meio-dia. A região sudeste dos Estados Unidos estava para ser afetada por uma chuva extremamente forte.

Pensamos que estava por vir uma grande tempestade. Considerando os países onde já moramos (incluindo o Brasil, nosso país de origem), não conseguíamos lembrar de algum dia termos tido que interromper nossas atividades por causa de uma chuva forte, salvo em situações que a chuva já tinha causado um grande estrago na cidade. Mas, tudo bem. Prevenção nunca é algo excessivo para mim que sou a pessoa mais medrosa da família…

Quando a chuva começou a cair já era noite de quinta-feira, uma chuva fraca que nem dava para ouvir se não olhássemos para o lado de fora. Na manhã seguinte, levantamos às 6:00 como de costume e ainda estava escuro. Olhei pela janela e continuava a chover com um pouco mais de intensidade, mas nada alarmante. A chuva caiu por toda manhã sem um minuto sequer de trégua.

Levamos o Mateus para a escola e fomos fazer compras. Afinal de contas, não sabíamos se o comércio iria funcionar depois dessa “grande tempestade” que estava por vir.

No começo da tarde o vento começou a ganhar força. O departamento de meteorologia nos enviou várias ligações e mensagens pelo telefone nos alertando sobre o perigo da tempestade. Queriam que tomássemos cuidado com os alagamentos e nos preveníssemos de um possível tornado. Nem foi preciso falar duas vezes, no primeiro alerta eu já estava dentro de casa e nada me faria pôr o pé na rua.

As mensagens começaram a se tornar mais frequentes e no noticiário televisivo não se falava em outra coisa. Mudamos do canal de notícias para um de desenho animado para atender ao desejo do meu filho. Como se não bastasse, o programa infantil era constantemente interrompido com um zunido agudo de uma mensagem informando da possibilidade de haver um tornado na região.

Pronto! Pensei, o mundo vai acabar. Depois de tantos perigos que já passamos por aí, em contextos menos privilegiados, o maior perigo vamos passar aqui, num país desenvolvido.

A noite chegou e não vimos nenhum sinal de tornado, mas chovia sem parar. Fomos dormir e então pensei, vamos ser acordados durante madrugada por esse tão esperado tornado.

O dia seguinte era sábado e não precisávamos acordar tão cedo, eba!!!!! A primeira coisa que fiz ao acordar foi olhar para a janela. O que vi foram uns raios de sol entrando no quarto pela persiana. Levantei, abri a janela e não havia uma nuvenzinha sequer, nem uma para contar a história dessa tão grande tempestade.

Passei o dia de sábado refletindo em todos os aspectos dessa experiência. Não é exatamente assim que acontece em nossas vidas? As tempestades chegam (e há ocasiões que não somos avisados que elas estão chegando), e elas mudam a rotina da nossa vida, mudam nossos planos, nos abatem, nos entristecem, nos incomodam, nos preocupam e, algumas vezes, abalam nossa fé. No entanto, elas também passam e muitas vezes nem parece que elas vieram. A que experimentamos aqui não deixou marcas profundas, grandes estragos ou qualquer consequência significativa.

Felizmente, temos um Deus que está acima das nuvens e que tem poder para acalmar as tempestades, seja de uma grande chuva que cai lá fora ou de uma situação difícil que bate à nossa porta.

Ainda que no dia da adversidade seja difícil acreditar, após uma tempestade, haverá sempre um lindo dia de sol! Que esta verdade esteja sempre presente em nosso coração nos ajudando a não perdermos a esperança em meio as tempestades da vida.

Por Vânia Rangel


  • 0
Rato, ratinho

Rato na congregação

O culto já se encaminhava para o fim, depois de mais de quatro horas desde o seu início. Na congregação estava reunido um grupo de pouco mais de quarenta sudaneses, oriundos de uma zona de guerra localizada no norte do país. Após ter compartilhado as Escrituras por cerca de meia hora, sentei-me na primeira fileira. Permaneci ali atento aos anúncios, até que fui distraído por um vulto próximo a única entrada do local. Para minha surpresa, identifiquei que o que roubava a minha atenção era um rato. Enquanto os meus olhos se arregalavam e os meus pelos se arrepiavam ante ao medo de que o animal causasse uma imensa confusão, ele passou tranquilamente pela porta e se moveu em direção aos que estavam sentados na fileira ao lado. Ao ver aquela cena meu coração quase parou. Com determinação e agilidade ele correu para os fundos da sala, ziguezagueando entre as pernas de homens, mulheres e crianças que encontrou pelo caminho. Extremamente tenso e sem saber o que fazer, fiquei aguardando pelo momento em que a congregação irrompesse aos gritos e corre-corre. Surpreendentemente, a reação das pessoas foi totalmente diferente da que estava imaginando. Elas simplesmente ignoraram a presença do roedor e continuaram demonstrando atenção aos avisos que eram apresentados pelo dirigente do culto. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Abaixei discretamente a cabeça, pus a mão no rosto e por alguns momentos passei a considerar a possível reação se algo semelhante tivesse acontecido no salão de culto da minha igreja local no Brasil. Garanto que a atitude não teria sido de passividade. O pavor teria tomado conta de alguns e o culto teria provavelmente se encerrado ali. No entanto, não estou mais no Brasil, mas na África! Sim, aqui as pessoas estão inseridas em outro ambiente cultural, social, linguístico e reagem aos eventos do cotidiano de maneira distinta. Apesar de algumas similaridades com o Brasil, a vida na África é bem diferente. Mesmo com o passar dos anos e servindo em diferentes países do continente africano, ainda estou me adaptando a ela.

Por Jairo de Oliveira

Fonte: Morávios


  • 4

Por que ir para tão longe se aqui perto há tanta necessidade?

Por alguma razão, muitas pessoas se sentem desconfortáveis com a ideia de que um indivíduo abrace desafios num contexto distante, enquanto há a manifestação de desafios semelhantes em seu ambiente originário.

Visitando diversas igrejas no Brasil e compartilhando o nosso ministério de proclamação da Palavra de Deus aos povos africanos, minha esposa e eu temos ouvido com certa frequência uma pergunta que todo missionário transcultural já deve ter tido que responder pelo menos uma vez na vida: Por que ir para tão longe se aqui perto há tanta necessidade?

Normalmente, diante da apresentação dessa pergunta, temos procurado responder tendo em mente as seguintes razões:

Porque é bíblico

A atitude de alguém que sai da sua terra natal para levar o Evangelho a outras nações é, antes de tudo, sustentada, inspirada e ordenada pelas Escrituras.

Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a obedecerem a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos (Mateus 28.19-20).

O fato é que a Bíblia é essencialmente um livro missionário e, como tal, requer que o povo do caminho concentre seus esforços, em termos de anúncio da glória de Deus, também, e às vezes principalmente, entre aqueles que estão distantes.

Abrão foi pioneiro, ao ter que deixar sua casa para se tornar bênção para as famílias da terra (Gênesis 12.1-3), cumprindo assim os projetos missionários divinos. Depois dele, muitos outros personagens bíblicos seguiram seu exemplo, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Sair da própria terra para levar o Evangelho aos que estão distantes não se trata de uma proposta humana. Não é modismo, heroísmo ou tentativa de expansão religiosa. O trabalho missionário transcultural é vontade e propósito de Deus! A tarefa missionária da Igreja, antes de qualquer outra coisa, é bíblica.

Porque o Mestre mandou 

O missionário vai aos lugares mais distantes do planeta a fim de anunciar o Evangelho em obediência a Jesus. Não se trata prioritariamente de responder a desafios maiores ou menores que os encontrados em sua pátria, mas de se submeter à ordem expressa de Jesus para anúncio do Evangelho entre todas as nações.

A Grande Comissão não é a única base do nosso envolvimento com missões (uma vez que o assunto é bíblico e reafirmado em cada livro das Escrituras), mas é preciso reconhecer que o Mestre não sugeriu ou solicitou a participação da Igreja na tarefa de proclamação do evangelho. Ele nos mandou fazer discípulos em todas as nações.

Aquele que nos mandou fazer discípulos tem toda a autoridade no céu e na terra. Sendo assim, devemos nos submeter à sua autoridade, obedecendo à sua convocação a fim de alcançarmos também os que estão distantes.

Por uma questão de exemplo

Quando olhamos para trás encontramos em toda a história bíblica e eclesiástica o exemplo de homens e mulheres que cumpriram com obediência o seu chamado missionário. De fato, o Evangelho chegou até nós porque esses valentes do passado compreenderam que a Igreja é a agência missionária de Deus para o mundo.

É saudável lembrarmos com frequência que foi por meio do desprendimento e da obediência dos missionários estrangeiros, como o casal americano Alton e Ebba Cothron da Missão Novas Tribos do Brasil, que o Evangelho foi semeado em nosso país. Eles saíram de suas terras deixando para trás desafios presentes em seu próprio contexto. Antes de desembarcarem no Brasil é possível que também tenham ouvido de seus compatriotas: Por que ir para tão longe se aqui por perto há tanta necessidade? Não obstante, saíram com coragem e vieram nos trazer o Evangelho.

Hoje, tendo sido alcançados pelo Evangelho, parece que o mínimo que devemos fazer é reproduzir o exemplo, assumindo o mesmo tipo de iniciativa em relação aos demais povos que ainda não foram evangelizados.

Para impedir o avanço dos falsos ensinos em outras partes do mundo

Os povos sem o testemunho do Evangelho estão mortos espiritualmente e caminhando em escuridão. Em contrapartida, as falsas religiões continuam avançando e, em muitos casos, gerando oposição e perseguição aos cristãos.

Há contextos onde a obra da cruz de Cristo ainda não é conhecida e uma das consequências é que, de maneira explícita, Satanás é tido como rei e permanece recebendo adoração que não lhe é devida.

É importante dizer que quando nos omitimos de pregar a Palavra de Deus, estamos consentindo que gerações inteiras se mantenham na escuridão. Por isso, não podemos permanecer indiferentes, quando temos todas as condições para interferir nesses cenários e fazer com que as trevas sejam dissipadas.

Por uma questão de coerência

Certa vez, sentei-me com o meu pastor em seu gabinete e, ao considerarmos a presença da Igreja em nosso bairro, identificamos mais de vinte igrejas locais em uma única rua. Esse fato faz parte da realidade de outras ruas da cidade do Rio de Janeiro e também de muitas outras ruas de outras cidades do nosso país. A questão que vem à mente diante desse quadro é: “Se o acesso ao Evangelho é tão abundante em nossas cidades, por que não compartilhá-lo com aqueles que ainda não o receberam?”.

Se o Evangelho é, de fato, a mensagem de salvação para todos os povos, e há muitos que sequer tiveram acesso a ele, acredito que não podemos omiti-lo aos tais. Se o fizermos, seremos os mais insensíveis e os mais incoerentes de todos os homens, mesmo que não houvesse uma ordem tão explícita para o pregarmos ao mundo.

Será que é justo que alguns recebam do Evangelho em abundância enquanto outros não recebem nada? Foi em resposta a esse cenário que o apóstolo Paulo escreveu: Sempre fiz questão de pregar o Evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre um alicerce elaborado por outra pessoa (Romanos 15.20).

Por uma questão de estratégia

Por mais incrível que pareça, há povos que nunca ouviram o Evangelho e precisam ser focalizados pela Igreja de Jesus Cristo, a fim de serem evangelizados. Eles representam nações inteiras intocadas pelo trabalho de evangelização da Igreja e ignorantes da revelação especial de Deus. São seres humanos que vivem em cegueira espiritual, mergulhados na idolatria e arraigados nas falsas religiões. São vítimas da fome, da pobreza, das doenças, das guerras e da impossibilidade de conhecerem a graça divina, revelada em Cristo Jesus.

Os povos não alcançados são aqueles em que não há uma comunidade nativa de crentes em Cristo, com números ou recursos adequados para evangelizarem seu próprio grupo sem a ajuda de missionários transculturais. Eles representam algo em torno de 2,3 bilhões de pessoas com muito poucas possibilidades de ouvir e crer no Evangelho de Cristo.

Alguns desses povos não têm igrejas, missionários ou versículos da Bíblia traduzidos em sua língua materna. Vivem em um contexto que se destaca como um grande desafio para a Igreja da nossa geração.

Se é vontade de Deus que a glória do Cordeiro, Jesus, seja proclamada em todo o mundo e ele receba de todos os povos digna adoração por seu sacrifício, é estratégico semear o evangelho nos contextos aonde ele ainda não foi anunciado.

Porque é um privilégio

Aquele que deixa o seu lar para seguir para terras distantes com o fim de proclamar o Evangelho, é um mensageiro da paz e pode estar se tornando um pioneiro no trabalho de levar a Palavra de Deus aos que ainda não a ouviram.

Tenho enorme alegria em dizer que o maior investimento que fiz na minha vida foi dedicar a juventude ao anúncio do Evangelho (já se vai mais de uma década!). Pois a obra missionária é um grande privilégio para quem pode experimentá-la e investimento garantido para a eternidade; certa é a recompensa!

Entendemos, por meio da teologia bíblica, que esse ministério não foi dado aos anjos, mas aos discípulos de Jesus. Portanto, trata-se de um grande privilégio que o Senhor tem reservado para nós. O apóstolo Paulo destacou esta verdade em Romanos 10.15: E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Como são maravilhosos os pés dos que anunciam boas novas!

Por todas estas razões, vale a pena alcançar aqueles que estão longe de nós!

Por Jairo de Oliveira

Fonte: Morávios


  • 0
tenda, campo, ovelhas

Fazedores de Tenda: uma resposta ao chamado

O chamado divino já fez parte da vida de muitos homens de Deus. E continua fazendo. Nas Escrituras, encontramos um chamado geral para o testemunho do Evangelho (At 1:8) e um chamado específico para o ministério cirstão (Rm1:1).

Os 12 apóstolos experimentaram o segundo tipo de chamado. Eles deveriam renunciar à própria atividade profissional para se dedicar exclusivamente ao ministério sagrado (Mt 4:18-20). Quando Jesus disse a Pedro e André que eles se tornariam pescadores de homens, essa era uma indicação clara de que deveriam deixar suas redes, abandonar seu barco na praia e abraçar um novo ofício.

Além do modelo daqueles que deixam a sua atividade profissional para servir no ministério cristão, há o modelo dos obreiros bivocacionais. São aqueles que servem no campo missionário por meio das suas profissões. Eles são comumente conhecidos como “fazedores de tendas” e são chamados assim com base na experiência de Paulo, em Atos 18:3.

Os que se sentem chamados para o ministério e desejam se tornar obreiros bivocacionais precisam saber que desenvolver simultaneamente a atividade profissional e o ministério num ambiente transcultural não é simples nem tão natural quanto parece. Há vários exemplos de trabalhos de obreiros bivocacionais eficazes, mas frequentemente encontramos missionários fazedores de tendas que se sentem frustrados por não conseguirem conciliar as duas atividades.

Em função dessa dificuldade de harmonizar os dois aspectos, há aqueles que acabam abrindo mão de uma atividade. Em nossa equipe de trabalho no Quênia há uma pediatra que deixou sua profissão para servir integralmente como evangelista. Ela tem umas das profissões mais desejadas por aqueles que ingressam na obra missionária. Não obstante, ela abandonou a atividade profissional porque não estava conseguindo investir tempo necessário no que se sentia realmente vocacionada: a proclamação do Evangelho. Embora tentasse viver e proclamar o Evangelho durante seu expediente, ela se via consumida pelas muitas horas de trabalho e sentia que a evangelização e o discipulado dos novos crentes não cabiam na sua agenda.

Embora acredite que os dois modelos sejam válidos e já tenha pessoalmente lançado mão de ambos, entendo que precisamos ter o cuidado de não desencorajar aqueles que têm uma vocação profissional para se dedicar exclusivamente ao ministério. Há lugar para os dois tipos de chamados na seara. Os modelos jamais devem ser concorrentes; um não deve suplantar o outro.
Você se sente chamado para servir a Deus entre as nações? Procure entender a sua vocação, estude bem o contexto para o qual você está sendo chamado para servir e responda fielmente ao chamado que Deus tem para sua vida.

Por Jairo de Oliveira

Fonte: Revista Povos e Línguas


Pesquisar no site

Já recebe as nossas cartas de oração? Ainda não? Cadastre-se para recebê-las.